Os primeiros dias em Worcester

fotocriada hoje às 13.02

Saí do Brasil correndo no dia 25 de janeiro de 2010, eu tinha que entregar apartamento, distribuir minha mudança para três lugares diferentes e resolver muitos detalhes de trabalho — foi exaustivo, e estava concentrada somente nisso. Eu não fazia a mínima ideia para onde eu estava indo, principalmente sobre inverno e neve ao redor.

Cheguei em Miami, via Manuas-Panamá e fui para a beira da praia em Daytona, três dias. Uma cidade nova construída como uma maquete ampliada para circulação de carros e carros e carros – nem bikes, nem gente. Um lugar rico para aposentados se isolarem durante o inverno no norte, chamados snow birds. Outra estranheza pra mim foi viver com muito muito pão e comida sintética estocados entre armários gigantes no interior do apartamento. Eu gostei de cookies – os tradicionais. Mas dois dias vivendo naquele exagero me senti quase bulímica.

Cheguei no meio de uma nevasca em Worcester, recepcionados por uma dezena de amigos gigantes de Holmes. Estranheza de novo, gente bem mais alta do que eu estava acostumada. Chego na nossa casa de madeira com cerca de 100 anos, no meio de um bosque, cercada de neve e sem gente ao redor. Nos dois dias seguintes, ao olhar pelas janelas (não conseguia ficar fora da casa por mais de 10 minutos) a memória visual que tive (ao olhar pelas trocentas janelas da casa) sempre me remetia a filmes de horror ou suspense, óbvio: Twin Peaks e The Shining eram os mais frequentes, e juntando isso — com o velho hábito estadunidense de não trancar portas — eu morria de medo. Sempre achava que tinha alguém à espreita. E que seria muito fácil entrar na casa. O medo e a sensação de insegurança me paralisou por alguns dias. Eu estava congelada e Martina não parava de pular pela casa, querendo patinar, esquiar, visitar castelos, fazer snow angels e bonecos de neve.

Depois passou. Meu corpo habituado a biquínis e camisetas circulando pelo apartamento em Belém, se recusava a querer mais roupa. Então, tive que enfiar três camisas por baixo de suéter de lã, mais duas calças e duas meias grossas — mais cachecol, gorro e um pesado casaco gigante por cima. Ufa! e finalmente quentinha e sem álcool e sem cigarros. Daí eu descobri que sou tacanha demais pressas coisas, e fiquei preocupada de perder meu calor e minha reputação afetuosa sem o sol e sem gente ao redor. Então fiquei triste e quis voltar pro Brasil depois de uma semana em Worcester.

Depois fui matricular a Martina na escola — e foi tão simples, rápido e eficaz com tudo informado em cinco línguas (chinês, espanhol, vietnamita e português e inglês). Ela começou na semana seguinte, indo e vindo naqueles school bus tradicionais — feliz da vida.

E eu vim casar de novo. E nem vou falar sobre casamentos. Confesso que continuo sendo a noiva que não sabe de nada, quase uma imigrante refugiada. O convite do casamento eu recebi pelo facebook, ainda não fui visitar a antiga galeria onde será celebrado e agora a pouco vi a lista de presentes também pelo facebook. A verdade é que sou lenta e tem tanta informação diária pra aprender que não consegui (OU talvez goste de não saber nada sobre…) concentrar no casamento.

No momento tenho um febre faz três dias que estou acamada com sintomas de gripe suína. Tá tudo muito estranho, com Martina viciada em Dora aprendendo espanhol e inglês falando com amigos chineses.

Com todo amor caloroso que eu tenho, to aqui.
Um beijo aos amados.

11. February 2010 by midiadmin
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